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domingo, 14 de abril de 2013

Um Planeta que Pede Socorro


     

"Só quando a última árvore for derrubada, o último peixe for morto e o último rio for poluído é que o homem perceberá que não pode comer dinheiro."
                                                                               - Provérbio indígena




     O homem é um ser ingrato por natureza. Do tipo que nunca considera suficiente o que possui e não zela devidamente por tudo de que dispõe. E os reflexos desse traço da personalidade humana tornam-se ainda mais perceptíveis quando se analisa o impacto da ação antrópica sobre o planeta como um todo. Em nome de seu próprio conforto, atendendo à sua ganância desmedida e enchendo a boca para falar em “progresso”, o homem explora, desmata, polui; ultrapassam-se com frequência nas empreitadas humanas os limites do necessário à sobrevivência da espécie. Outros seres vivos, considerados irracionais de acordo com padrões definidos pelos humanos, demonstram-se muito mais sensíveis do que estes para com seus semelhantes e para com o ambiente que os circunda.
     Generalizações tendem à injustiça, sendo relevante dizer que há pessoas que demonstram uma consciência expressivamente aflorada, conduzindo suas vidas de forma mais responsável, sustentável. E esse é o ideal, o perfil que se faz obrigatório a cada um de nós para que asseguremos a manutenção dos recursos naturais e, consequentemente, possibilitemos a continuidade da vida na Terra sem maiores transtornos.  Por outro lado, é hipocrisia afirmar que todos demonstram tal preocupação, longe disso. Se a Natureza é uma mãe, por vezes portamo-nos como seus filhos mais inconsequentes. Completo, pois, a primeira frase do presente texto: o homem é um ser ingrato por natureza à Natureza.
      Dessa forma, o desenvolvimento sustentável é um conceito muito difundido nos tempos modernos, mas que nem sempre ganha concretude fora do papel. Conforme o meu entendimento acerca do assunto, é possível que a humanidade caminhe, se aperfeiçoe e se desenvolva sem causar impactos irreversíveis para a Natureza; pode-se perfeitamente progredir através da utilização razoável e consciente dos recursos naturais, preservando as outras formas de vida que habitam o planeta. Ou seja, progresso e meio ambiente podem (devem) estar lado a lado na lista das prioridades humanas.
     Todavia, não é o que se verifica na prática: valoriza-se muito o progresso em detrimento da sustentabilidade, da utilização consciente dos recursos naturais. Um exemplo nítido que se aprende desde criança: à medida que a urbanização dos grandes centros avança, a vegetação original dos espaços ocupados pelo homem desaparece. É assim que muito se perdeu da Amazônia, da Mata Atlântica e de outros biomas importantes - isso só no Brasil, sem ainda mencionar a gravidade do problema a nível global.
      Em tempos do ruralista e megaempresário Blairo Maggi na presidência da Comissão de Meio Ambiente do Senado, faz-se importante voltar os olhares para o nosso próprio território, antes de questionar as atitudes da humanidade como um todo. A título de argumentação, Maggi é
considerado o maior produtor individual de soja do mundo, tendo recebido o famigerado troféu “Motosserra de Ouro”.  E a propósito, é justamente a soja, ao lado da produção de gado, que é apontada como principal vetor da devastação da Floresta Amazônica. Não me posiciono contra essas produções, que a priori visam a atender a demanda de alimentos da população mundial, mas é inegável que a sustentabilidade fica em segundo plano.
     
Plantar uma árvore é um gesto de generosidade louvável, mas “reflorestamento” é outro conceito que não figura entre as atividades prioritárias de muitas das grandes empresas que se utilizam dos recursos naturais. Há ainda a voracidade das queimadas, cujas causas podem ser aparentemente inofensivas, como uma guimba de cigarro, mas que propagam a morte à medida que as labaredas aumentam, deixando a paisagem negra, transformando a vida em carvão.
      O que se percebe é que o progresso desordenado típico do Sistema Capitalista está tirando a cor do nosso planeta. O verde e o azul estão dando lugar ao cinza. A poluição compromete a beleza das diversas formas de vida. O rio Tietê, dentre outros, constitui verdadeira prova do descaso de uma sociedade que não limpa, mas varre a sujeira para debaixo do tapete. Com tantas lixeiras espalhadas por aí, é inadmissível a situação em que até mesmo muitos dos pequenos rios se encontram: retrato asqueroso da má educação da espécie humana.
      Grandes empresas lançam os seus dejetos nas águas; garimpeiros se utilizam de mercúrio por longos períodos em sua atividade, contaminando a água, o solo e os seres vivos do local explorado; as pessoas não se policiam para jogar o lixo em local adequado, desfazendo-se dele em águas correntes e outros lugares inapropriados, inclusive nas vias públicas, dentre uma infinidade de outras condutas irresponsáveis e reprováveis. Que seja um papel de bala, custa guardá-lo até que se encontre um meio para que seja devidamente descartado? Garanta a reciclagem dos seus resíduos! Outras perguntas pertinentes: sua cidade tem coleta seletiva? Se tem, você separa o lixo da forma correta? E se não tem, que tal pensar com carinho na ideia e passá-la adiante?
     A água que bebemos tem um valor inestimável, mas parece que só quem não dispõe com fartura de tal recurso reconhece sua verdadeira importância. Se sobra na sua torneira, falta em casas de famílias que vivem em condições precárias e percorrem quilômetros em busca de uma água turva, barrenta, como frequentemente acompanhamos pelo noticiário. Sendo assim, economize ao máximo no banho, ao escovar os dentes, lavar a louça, enfim, em tudo o que for possível. Use-a somente no que é indispensável e com sensatez.
     Os outros animais, criaturas adoráveis (alguns nem tanto, confesso, mas que não deixam de ter sua importância dentro das relações que garantem a manutenção da biodiversidade), inocentemente pagam um preço muito alto pela falta de consciência da espécie humana, haja vista a lista crescente dos que se encontram extintos ou ameaçados de extinção. Admitir que uma espécie de ser vivo desapareça por completo da face da Terra é muito triste, revoltante. E dá um nó enorme na garganta ao concluirmos que a responsabilidade por todas essas perdas é de todos nós.
     Abominamos a ideia de perder nossa liberdade de locomoção, mas construímos jaulas e gaiolas e obrigamos uma vida a se desenvolver dentro de tão pouco espaço.
Quando se trata das aves silvestres, por exemplo, o ideal seria "mais vale um pássaro voando do que centenas deles maltratados em gaiolas". É muita audácia e despeito do homem, que não sabe o que é voar por conta própria, reprimir as asas dos que podem fazê-lo. Isso quando os representantes da fauna não são vítimas da caça indiscriminada, que muitos ousam chamar de lazer.
     Apesar desse panorama preocupante, acredito na possibilidade de reversão ou de minimização dos impactos ambientais que nós mesmos provocamos através da educação, da conscientização, da crença de que seja possível, sim, a ideia de desenvolvimento sustentável. Porque o planeta pede socorro e eu peço encarecidamente através deste texto que cada um dos leitores faça a sua parte a tempo, a fim de que sejamos poupados pelas forças implacáveis da Mãe Natureza. Se só um faz sua parte, em nada se avança; por outro lado, se cada um faz sua parte, caminhamos a passos largos para dias cada vez melhores. Caso contrário, a longo prazo nosso destino não nos será favorável - mãe que é mãe, por mais generosa que seja, também sabe a hora certa de impor os castigos cabíveis, principalmente quando seus filhos a provocam.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

De Igual para Igual



"No caráter, na conduta, no estilo, em todas as coisas,
a simplicidade é a suprema virtude."
                                                            - Henry Wadsworth Longfellow




     A arrogância não é exclusividade de quem tem muito dinheiro, beleza, status e/ou inteligência. Muitos não têm nada disso e ainda assim se acham melhores do que seus semelhantes. E quase sempre esta se mostra uma característica de gente pequena, acostumada ao fracasso; de quem se esforça para transformar pequenos acertos em vitórias épicas. O que nem todos enxergam é que há muito charme e elegância na simplicidade. Quem é seguro de si não precisa exaltar seus êxitos. Em terra onde todos querem aparecer, quem é discreto atrai mais atenção.
      Ser gentil e bem educado, por exemplo, não custa nada; não se trata de um favor, mas de uma obrigação que a própria consciência impõe aos que não se sentem o centro do mundo, a quem não tem a idéia redondamente equivocada de que não precisa dos outros. Lidamos constantemente com pessoas, que merecem ser respeitadas em suas particularidades. Sua forma de tratá-las diz muito a seu respeito e pode trazer consequências, ainda que a longo prazo.
      Seja doce no seu cotidiano e perceberá que até um "bom dia" proferido sem entusiasmo por alguém ao seu redor pode deixar de ser um ato mecânico e se transformar em um sincero desejo, acompanhado do sorriso de uma pessoa que te considera admirável. E o valor disso é inestimável, acreditem. É isso que te faz cada vez melhor; não melhor do que os outros, mas melhor.






sábado, 16 de fevereiro de 2013

Epidemias da Contemporaneidade




"Viver é a coisa mais rara do mundo.
A maioria das pessoas apenas existe."
                                                             - Oscar Wilde                  


      É inegável que o ser humano é um eterno insatisfeito. As pessoas, em sua maioria, não se contentam com o que são e o que têm. É importante e louvável buscar sempre um aprimoramento pessoal, posto que em nada se evolui enquanto escravo do conformismo. Todavia, deveríamos respeitar nossos próprios limites, bem como os que a vida em conjunto nos impõe, reconhecendo a impossibilidade de se atingir a perfeição – que está longe de ser uma característica humana, diga-se de passagem; mas o fato é que nem todos pensam desta forma.
      Não se trata meramente de uma concepção pessimista da realidade. Reconheço que o passar do tempo é acompanhado por avanços tecnológicos que visam a tornar nossa existência mais cômoda e duradoura, mas que também repercutem de forma negativa nas sociedades a que se destinam. O que vemos com cada vez mais frequência são pessoas frustradas, infelizes, que dependem de antidepressivos para esboçar um sorriso amarelo e que se rendem facilmente aos vícios, diante da falta de perspectivas favoráveis. Geram-se crianças ansiosas e adultos impacientes e intolerantes.
      Os bebês de hoje não vêm com cordão umbilical, vêm com cabo USB. A infância foi comprimida, a competitividade exacerbou-se de forma impiedosa e as altas expectativas depositadas sobre as futuras gerações fazem com que os pequenos se cansem de brincar mais cedo. E é uma injustiça grotesca atribuir a eles o encargo de consertar ou minimizar os erros frequentes que marcam a história da humanidade (dentre eles, a título de exemplo, a atual situação da grande maioria dos ecossistemas naturais, já intensa e irremediavelmente afetados pela ação antrópica). A infância dá lugar à malícia num piscar de olhos, e vislumbramos então adultos complexados e bestializados, que se relacionam de forma desleal e predatória entre si, quando o ideal difundido deveria ser, na verdade, o do império da harmonia.  A célebre frase “o mundo é uma selva” nunca fez tanto sentido!
      Instaurou-se uma ditadura da beleza extremamente cruel, na qual as balanças e os espelhos se tornaram nossos principais inimigos. Cultuam-se corpos inatingíveis através de métodos naturais, o que empurra as almas mais frágeis para o abismo dos transtornos alimentares, da insegurança e da baixa autoestima, tornando-as vítimas dos mais variados preconceitos (que constituem, a propósito, os reflexos mais torpes da ignorância humana desmedida).
      Outro fator relevante ao presente contexto, que determina inclusive o tratamento que se confere ao outro, é o número de dígitos de sua conta bancária. O dinheiro tornou-se uma força suprema que abre inúmeras portas e rege as mais variadas relações, desde as interpessoais às internacionais. Às vezes me parece que o mundo está girando ao contrário há algum tempo  e que ninguém se deu conta disso. Valores invertidos, princípios deturpados, ideais perdidos, liberdades inalcançáveis, dias melhores que nunca chegam.
      Não é necessário abdicar da tecnologia, do dinheiro, da beleza, dos bens materiais; entretanto, é importante que cada indivíduo busque um aprimoramento pautando-se pela sua própria consciência e por suas reais necessidades, colocando as expectativas e opiniões de outrem em segundo plano. Reprima-se menos, cobre-se apenas o necessário; permita-se mais, viva intensamente, por você e para você. Isso nos proporciona a tão almejada liberdade, em sua forma mais autêntica. E tenha sempre em mente que as coisas mais simples, aquelas que geralmente nos passam despercebidas, podem ser verdadeiras fontes de felicidade gratuita. Sim, falo por experiência própria, e espero que não se dê conta disso tarde demais.

sábado, 12 de janeiro de 2013

Introdução ao Meu Mundo – Um Emaranhado de Devaneios, Palavras e Sentidos

"Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida. A música embala, as artes visuais animam, as artes vivas (como a dança e a arte de representar) entretêm. A primeira, porém, afasta-se da vida por fazer dela um sono; as segundas, contudo, não se afastam da vida - umas porque usam de fórmulas visíveis e portanto vitais, outras porque vivem da mesma vida humana. Não é o caso da literatura. Essa simula a vida."
                                                                                                                     - Fernando Pessoa




     Se tem um hábito que me proporciona um prazer quase inesgotável é o de escrever, quem me conhece bem sabe disso. Reverencio o poder incontestável das palavras, com as quais estou intimamente envolvido desde cedo.
      Quando pequeno já me debruçava sobre um papel em branco e passava horas a fio gastando a ponta do lápis à medida que minha imaginação fluía e os mais diversos vocábulos povoavam minha mente, ansiando formar frases eloquentes e com amplo sentido, capazes de preencher a folha em branco.
Nunca fui muito exigente: qualquer espaço capaz de comportar minhas palavras já me satisfazia, independentemente de sua natureza. Até papelão já utilizei. Lápis, lapiseira, caneta... isso tudo pouco me importa. Dispondo apenas do indispensável para grafar minhas ideias já fico muito feliz.
      Escrever é um excelente exercício, todos sabem. Acho terapêutico, inclusive. Mais do que repetir essa recomendação, eu a sigo ao pé da letra, literalmente. Porque aprendi, com a prática, que o papel é capaz de comportar seus sentimentos, desde as angústias que nos sufocam às mais autênticas alegrias. E o melhor: você pode desabafar e extravasar tudo o que está em seu interior gratuitamente, sem cobranças ou exigências descabidas. Ficam apenas você, suas ideias, a caneta e o papel. Esse singelo conjunto constitui para mim um universo de infinitas possibilidades.
      Às vezes, gosto de dedicar um pouco do meu tempo para fazer reflexões ou meras divagações sobre os mais variados assuntos. Posteriormente, acabo tentando grafar da forma mais fidedigna possível o resultado de tais devaneios, minhas percepções sobre o mundo, as pessoas e as coisas. Diante disso, algumas pessoas próximas me incentivaram a criar um espaço específico para compartilhar minhas palavras. Relutei a princípio; familiarizo-me com as palavras, mas não sou um profundo conhecedor das possibilidades virtuais. Porém, por gostar de desafios, eis que venço a inércia, resolvo arriscar e aqui estou, de corpo e alma.
      Meus fins não são quantitativos: não almejo reconhecimento, formas de obter lucro ou algo do tipo. Ainda que isso aconteça, seria mera consequência. O que eu proponho é uma viagem sem destino certo, proporcionada pela força da sua interpretação sobre as palavras apresentadas. E que ela seja tão prazerosa para você quanto sempre o foi para mim.
      Antes de começar, tenho dois pedidos a fazer. O primeiro deles é para que me perdoem por eventuais erros ortográficos e/ou gramaticais. Sou humano, logo, falível. O segundo é para que pensem, comentem, opinem, debatam, critiquem, discordem, mas sempre com o respeito mínimo necessário às relações interpessoais construtivas. Não suponho possuir um dom ou coisa parecida, longe disso; quero apenas me sentir plenamente realizado ao poder trocar experiências e ideias com pessoas maduras e preparadas para isso.
     O papel e a caneta já estão a postos; as palavras já começaram a dançar dentro da minha mente, se insinuando no intuito de ganhar forma no universo externo ao meu corpo. É hora, pois, de unir o útil ao agradável: é hora de começar a escrever.