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quinta-feira, 27 de junho de 2013

A Dança dos Sentidos



"Quanto ao nosso contato, será verbalmente indescritível. Nada haverá a ser dito; tudo e de tudo será sentido. Corpos nus, almas despidas. O simples atrito dos nossos corpos nos momentos de intimidade gerará fagulhas de infinito prazer e plena satisfação. Porque quando meu desejo é indomável, entrego-me de corpo e alma. Foi sempre assim. Fui sempre assim.
"







     Estamos a sós, finalmente. Nossos olhares se correspondem, dispensando palavras. Estabelecemos com eles um acordo tácito de entrega mútua. Tiramos sem receio as vestes que cobrem nossos corpos ansiosos. A nudez nos cai bem, e é o traje ideal para quando estamos a sós. Aproximamo-nos cada vez mais, e à medida que a distância diminui, o calor aumenta.
     Nos tocamos dos pés à cabeça, e todos os nossos sentidos se mostram mais apurados que de costume. A visão nos permite contemplar a nudez que se apresenta, a beleza das formas humanas. O olfato possibilita que eu perceba o cheiro da pele, que se mistura com o perfume que me embriaga. A audição permite a compreensão dos sussurros ao pé do ouvido. Palavras ousadas, diga-se de passagem, mas pertinentes à ocasião, já que dispensamos o pudor. É com o tato que desfrutamos de cada toque, de cada beijo, dos arrepios e até dos arranhões. Há ainda o paladar, provocado quando nossa língua almeja conhecer dos variados sabores do corpo alheio. Conjunção carnal e espiritual, peles em atrito; nossos corpos dançam embolados, confundindo-se.
      Agora entendo o que significa “ter química”. Juntos somos reagentes em uma equação explosiva, liberando energia para o ambiente; energia esta que escorre na forma de suor. É inverno lá fora, e os vidros se embaçam com o calor que emanamos. Ainda bem que lençóis não falam - são meras testemunhas silentes dos nossos instintos mais selvagens.

terça-feira, 5 de março de 2013

Adoçando a Vida




"As pessoas não se precisam, elas se completam… não por serem metades,
mas por serem inteiras, dispostas a dividir objetivos comuns, alegrias e vida.

Com o tempo (...) Você aprende a gostar de você, a cuidar de você,
e principalmente a gostar de quem gosta de você."
                                                                                    -Mário Quintana




      Gostar de alguém não significa aceitar tudo em nome de um sentimento, fazer vista grossa para o que o outro faz de errado. Isso é ser fraco, conivente e até mesmo cúmplice; é permitir que o erro se torne algo aceitável e contribuir para a formação de indivíduos inescrupulosos que mais cedo ou mais tarde serão punidos. E é menos doloroso ser repreendido por alguém bem intencionado do que ser punido pela mão pesada da vida, sempre implacável ao aplicar seus castigos. O ideal é apontar o erro em particular, com calma e boa vontade, e incentivar aquele que errou a assumir as consequências do seu ato falho.
      O verbo “gostar” pode ser semanticamente muito mais rico, ir muito além. Implica em saber a hora correta de dizer um sonoro NÃO. Também significa impor limites e dar broncas quando se fizer necessário. Gostar de si próprio e ter princípios invioláveis são requisitos básicos para que se goste de alguém de maneira saudável.
      Gostar (mas gostar pra valer, de maneira autêntica e até mesmo inconsequente) sobretudo, é querer estar junto, mesmo e principalmente naquelas situações mais tensas e incômodas, procurando soluções conjuntas para as adversidades que se apresentam ao longo da jornada em comum. E ressalto que não há obstáculo invencível para aqueles que se gostam de verdade.
      Gostar é estender a mão a quem está prestes a despencar de um abismo, mesmo sabendo que essa pessoa pode te puxar involuntariamente para a queda fatal; quando se gosta pra valer, o receio de cair se torna insignificante se comparado ao desejo instintivo de salvar o ente querido, de garantir o seu bem-estar. E sob o ponto de vista de quem está pendurado, o simples fato de gostar poderia levá-lo a soltar a mão que o puxa, aceitando a própria morte e evitando arriscar a vida do outro.  
     Gostar, além de tudo, é almejar a felicidade alheia com a mesma intensidade que se almeja ser feliz, ainda que mediante a separação dos corpos e os rumos consequentemente distintos de um e de outro. Não existe meio-termo: quem gosta demonstra, não tem vergonha, engole o próprio orgulho, cuida e vai à luta em nome do seu sentimento, com unhas e dentes.
      Gostar é deixar de comer para garantir o sustento do outro; é ceder seu casaco em um dia frio a quem for objeto dos seus sentimentos e conter a vontade de tremer, dizendo que está tudo bem.
Mas já basta. Tudo o que foi exposto é pouco. Gostar é, por fim e seguramente, um dos privilégios que nos permitem por vezes a sensação de transcender esta existência mundana, e desejo a todos os atenciosos leitores a oportunidade ímpar de se deleitar com ele.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

De Igual para Igual



"No caráter, na conduta, no estilo, em todas as coisas,
a simplicidade é a suprema virtude."
                                                            - Henry Wadsworth Longfellow




     A arrogância não é exclusividade de quem tem muito dinheiro, beleza, status e/ou inteligência. Muitos não têm nada disso e ainda assim se acham melhores do que seus semelhantes. E quase sempre esta se mostra uma característica de gente pequena, acostumada ao fracasso; de quem se esforça para transformar pequenos acertos em vitórias épicas. O que nem todos enxergam é que há muito charme e elegância na simplicidade. Quem é seguro de si não precisa exaltar seus êxitos. Em terra onde todos querem aparecer, quem é discreto atrai mais atenção.
      Ser gentil e bem educado, por exemplo, não custa nada; não se trata de um favor, mas de uma obrigação que a própria consciência impõe aos que não se sentem o centro do mundo, a quem não tem a idéia redondamente equivocada de que não precisa dos outros. Lidamos constantemente com pessoas, que merecem ser respeitadas em suas particularidades. Sua forma de tratá-las diz muito a seu respeito e pode trazer consequências, ainda que a longo prazo.
      Seja doce no seu cotidiano e perceberá que até um "bom dia" proferido sem entusiasmo por alguém ao seu redor pode deixar de ser um ato mecânico e se transformar em um sincero desejo, acompanhado do sorriso de uma pessoa que te considera admirável. E o valor disso é inestimável, acreditem. É isso que te faz cada vez melhor; não melhor do que os outros, mas melhor.






sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Essa Droga de Amor!



"Não acabarão nunca com o amor,
nem as rusgas,
nem a distância.
Está provado,
pensado,
verificado.
Aqui levanto solene
minha estrofe de mil dedos
e faço o juramento:
Amo
firme,
fiel
e verdadeiramente
."                        
  
 
                                   - Wladimir Maiakóvski


     Eu não consigo mais lidar com esta abstinência. Fico irrequieto, ansioso, ofegante. Durmo mal e se não abominasse o hábito de roer unhas, não mais as teria. Cogito embriagar-me, mas reúno os resquícios de sensatez que ainda tenho em mim e evito. O álcool é extremamente volátil, bem como a sensação de satisfação e euforia que ele proporciona - é temporária e cessa deveras rápido, diga-se de passagem. É inevitável: já experimentei suas carícias e percebi que nada pode substituir os efeitos que elas têm sobre o meu corpo. Estou dependente, viciado em você.
     Se cheguei ao fundo deste poço ainda não sei, mas basta a sua presença para me afastar de qualquer receio. Quando você vem, traz consigo a luz, meu mundo volta a ter cor. Experimento novamente seus efeitos, aventurando-me em doses cada vez maiores. Fico com o riso fácil, ensaio gestos patéticos, arrepio-me da cabeça aos pés, transpiro; transcendo o volume que meu corpo ocupa no espaço, por pouco não tenho alucinações e em certos momentos sinto-me levitar. Nossos corpos, agora unidos sobre a cama, confundem-se por completo, trocam energias, dançam em ritmo cada vez mais acelerado.
     Preciso de doses frequentes de você. Sendo a minha morte um futuro certo, que ela ocorra após uma overdose de momentos como este, não por conta de abstinências. Morrerei feliz, sem dúvidas. E não creio que isso tudo se relacione à morte; está mais para "viver", no sentido pleno da palavra. A cada dia sinto-me mais e mais revigorado.
     Não se preocupem, caros leitores, não estou me drogando; estou amando, apenas.


sábado, 12 de janeiro de 2013

Introdução ao Meu Mundo – Um Emaranhado de Devaneios, Palavras e Sentidos

"Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida. A música embala, as artes visuais animam, as artes vivas (como a dança e a arte de representar) entretêm. A primeira, porém, afasta-se da vida por fazer dela um sono; as segundas, contudo, não se afastam da vida - umas porque usam de fórmulas visíveis e portanto vitais, outras porque vivem da mesma vida humana. Não é o caso da literatura. Essa simula a vida."
                                                                                                                     - Fernando Pessoa




     Se tem um hábito que me proporciona um prazer quase inesgotável é o de escrever, quem me conhece bem sabe disso. Reverencio o poder incontestável das palavras, com as quais estou intimamente envolvido desde cedo.
      Quando pequeno já me debruçava sobre um papel em branco e passava horas a fio gastando a ponta do lápis à medida que minha imaginação fluía e os mais diversos vocábulos povoavam minha mente, ansiando formar frases eloquentes e com amplo sentido, capazes de preencher a folha em branco.
Nunca fui muito exigente: qualquer espaço capaz de comportar minhas palavras já me satisfazia, independentemente de sua natureza. Até papelão já utilizei. Lápis, lapiseira, caneta... isso tudo pouco me importa. Dispondo apenas do indispensável para grafar minhas ideias já fico muito feliz.
      Escrever é um excelente exercício, todos sabem. Acho terapêutico, inclusive. Mais do que repetir essa recomendação, eu a sigo ao pé da letra, literalmente. Porque aprendi, com a prática, que o papel é capaz de comportar seus sentimentos, desde as angústias que nos sufocam às mais autênticas alegrias. E o melhor: você pode desabafar e extravasar tudo o que está em seu interior gratuitamente, sem cobranças ou exigências descabidas. Ficam apenas você, suas ideias, a caneta e o papel. Esse singelo conjunto constitui para mim um universo de infinitas possibilidades.
      Às vezes, gosto de dedicar um pouco do meu tempo para fazer reflexões ou meras divagações sobre os mais variados assuntos. Posteriormente, acabo tentando grafar da forma mais fidedigna possível o resultado de tais devaneios, minhas percepções sobre o mundo, as pessoas e as coisas. Diante disso, algumas pessoas próximas me incentivaram a criar um espaço específico para compartilhar minhas palavras. Relutei a princípio; familiarizo-me com as palavras, mas não sou um profundo conhecedor das possibilidades virtuais. Porém, por gostar de desafios, eis que venço a inércia, resolvo arriscar e aqui estou, de corpo e alma.
      Meus fins não são quantitativos: não almejo reconhecimento, formas de obter lucro ou algo do tipo. Ainda que isso aconteça, seria mera consequência. O que eu proponho é uma viagem sem destino certo, proporcionada pela força da sua interpretação sobre as palavras apresentadas. E que ela seja tão prazerosa para você quanto sempre o foi para mim.
      Antes de começar, tenho dois pedidos a fazer. O primeiro deles é para que me perdoem por eventuais erros ortográficos e/ou gramaticais. Sou humano, logo, falível. O segundo é para que pensem, comentem, opinem, debatam, critiquem, discordem, mas sempre com o respeito mínimo necessário às relações interpessoais construtivas. Não suponho possuir um dom ou coisa parecida, longe disso; quero apenas me sentir plenamente realizado ao poder trocar experiências e ideias com pessoas maduras e preparadas para isso.
     O papel e a caneta já estão a postos; as palavras já começaram a dançar dentro da minha mente, se insinuando no intuito de ganhar forma no universo externo ao meu corpo. É hora, pois, de unir o útil ao agradável: é hora de começar a escrever.